Medicina de Emergência

Vertigem e tontura na emergência

Logo Medclub
Equipe med.club
17/9/2022
Compartilhe este artigo

A maioria dos pacientes que chegam ao departamento de emergência com sintomas de vertigem e tontura possuem patologias benignas como vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), hipotensão ortostática, enxaqueca ou otites.

No entanto, 25% desses pacientes possuem causas significativamente ameaçadoras à vida, incluindo acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi) de circulação posterior (representando 15% de todas as causas de vertigem e tontura da sala de emergência) e arritmias.

Por ausência de conhecimento médico ou falta de exames padronizados para esse tipo de paciente, 10% dos casos de AVCi com vertigem não são diagnosticados no momento da emergência e não são tratados no momento mais adequado. Logo, o conhecimento sobre diagnósticos diferenciais de vertigem e tontura deve ser uma prioridade para o médico em departamento de emergência.

É necessário estabelecer exames clínicos que diferenciem causas centrais e periféricas vestibulares, e para isso é fundamental se informar acerca da duração, dos gatilhos (estímulos), sintomas associados e histórico de episódios da vertigem e tontura. Enquanto a vertigem em um AVC vestibular é geralmente de início espontâneo, agudo, duração maior que 4 dias e acompanhado de diplopia, dismetria, disfagia e alteração da sensibilidade, uma vertigem por síndrome de Menière é acompanhada de zumbido, pressão no ouvido e perda temporária de audição.

Para diferenciar de enxaqueca é importante lembrar que esta é associada a fotofobia, fonofobia, náuseas e cefaleia latejante. Além dessas informações, é indispensável realizar exame físico com testes de equilíbrio e nistagmo, com auxílio de vídeo oculografia. 

Atualmente existem diversos testes de índice diagnóstico que auxiliam a estimar o risco de patologia central em uma situação de vertigem ou tontura, como o HINTS, ABCD², PCI score, CATCH² e STANDING.

Embora o HINTS e o STANDING possuam ótima acurácia, só podem ser avaliados no paciente que apresenta nistagmo, então o PCI score (Posterior Circulation Ischemia risk score, do inglês escore de risco de isquemia de circulação posterior) é o que melhor avalia todos possíveis pacientes, possuindo melhor sensibilidade e especificidade. Os critérios do PCI score são Hipertensão Arterial (+1 ponto), diabetes (+1), AVC prévio (+1), balanço (+1), disartria (+5 pontos), zumbido (-5 pontos), marcha atáxica (+1), dismetria (+5) e alteração da sensibilidade (+5). Quanto maior a pontuação, maior o risco de ser um evento central e de maior risco para o paciente.

Por fim, para tratar o paciente, se confirmar distúrbios vestibulares agudos, como VPPB, manejar com guidelines específicos e manobras de posicionamento; se confirmar AVCi, realizar trombólise venosa.

Fonte: UpToDate

Continue aprendendo:

Morfina para dor de câncer: um guia prático

Quando e como repor potássio na hipocalemia?

Erenumabe: Profilaxia de Enxaqueca com ou sem Aura

Compartilhe este artigo