Cardiologia

A aplicação de HEARTS para o manejo do risco cardiovascular e da HAS

Logo Medclub
Equipe med.club
6/7/2022
Compartilhe este artigo

Recentemente, o Pan American Journal of Public Health publicou artigo de comunicação breve sobre o aplicativo HEARTS. A ferramenta é uma adaptação regional da iniciativa Global Hearts, da Organização Mundial de Saúde, e tem como objetivo auxiliar no manejo do risco cardiovascular (RCV) na atenção primária à saúde nas Américas. As doenças cardiovasculares (DCV) são a principal causa de morbimortalidade no continente, gerando considerável impacto negativo econômico e social. Estima-se que, em 2017, catorze milhões de pessoas foram diagnosticadas com alguma DCV. Essas elevadas taxas decorrem da alta prevalência dos principais fatores de risco para DCV, uma vez que 60% dessa população apresenta sobrepeso ou obesidade, 20% são hipertensos, e 15% são tabagistas. 

O cenário atual das Américas é de incapacidade do sistema de saúde de detectar os pacientes com fatores de risco para DCV, bem como de assegurar a esses indivíduos acesso a medicamentos de qualidade. O não reconhecimento do RCV dificulta a determinação de quais pacientes são elegíveis para o tratamento para hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia e hiperglicemia, bem como dificulta o direcionamento do tratamento para indivíduos de alto risco, diminuindo a eficácia na prevenção de eventos cardiovasculares. Por isso, a prioridade máxima da atenção primária são os pacientes com alto RCV, objetivando tratar de maneira menos intensa pacientes com baixo RCV, a fim de poupar recursos. 

Dessa forma, os autores concluem que a ferramenta HEARTS é útil para reconhecer o RCV do paciente, bem como para realizar educação em saúde e fornecer informações importantes à equipe de saúde. Em pacientes com 40 a 74 anos, sem doenças cardiovasculares, diabetes ou doença renal crônica conhecida, os autores afirmam que o aplicativo auxilia a determinar qual o momento ideal para iniciar o anti-hipertensivo, bem como determinar a meta do nível pressórico e o intervalo de seguimento do paciente. Em pacientes com comorbidades cardiovasculares conhecidas, a ferramenta permite o manejo desses fatores de risco. Apesar das limitações do aplicativo, como não considerar variáveis importantes, como o sobrepeso e a obesidade, o histórico familiar de doenças cardiovasculares em idade precoce, o baixo nível socioeconômico e o estilo de vida sedentário, a HEARTS é uma ferramenta clínica que pode tornar as intervenções no cenário da atenção primária mais eficazes.

Compartilhe este artigo