Oncologia
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Morfina para dor de câncer: um guia prático

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Equipe medclub
Publicado em
12/7/2022
 · 
Atualizado em
7/5/2023
Índice

Dor é o sintoma mais severo do câncer, seja de origem visceral, somática ou neuropática e a morfina (opióide, impede a sinapse de neurotransmissores da dor) é a medicação mais recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) atualmente para tratar essa dor, quando analgésicos mais leves (anti-inflamatórios não esteroidais, opioides fracos, antidepressivos tricíclicos) não fazem efeito. Além da analgesia, a morfina tem outros efeitos, é antitussígeno potente, antidiarreico e regula a frequência respiratória (favorável para pacientes com dispneia). No entanto, por conta disso, pode haver efeitos adversos, como constipação, depressão respiratória (paciente pode precisar do antídoto naloxone), edema pulmonar, sedação extrema (alucinação e confusão associada indica intoxicação por opióide), náusea, vômitos, xerostomia (boca seca) e mioclonia (espasmos).

Em 80% dos pacientes com câncer, a morfina é eficaz e bem tolerável, necessitando de menos de 200mg por dia, mas os outros 20% não respondem tão bem a essa dose. Geralmente esses pacientes mais resistentes, possuem câncer de mama ou geniturinário, com metástases nos ossos ou medula espinhal ou dor do tipo neuropática. A tolerância (também relacionada a dependência) da dose é um problema para os pacientes que usam opióides cronicamente, ocorrendo principalmente nos indivíduos que utilizam altas doses de opióides de curta ação. Apesar de o efeito da morfina não ser alterado por cirrose ou insuficiência hepática, seu uso é muito afetado em pacientes com falência renal, precisando titular a dose com muita cautela, pois a hemodiálise não aprimora a depuração dos metabólitos da morfina. A potência da dose também é influenciada pelo gênero (geralmente mulheres obtêm maior efeito analgésico que homens) e por interações medicamentosas. Quando utilizado em combinação com antidepressivos tricíclicos, fenotiazina, cimetidina, há aumento do efeito analgésico, enquanto a associação com antiepilépticos e benzodiazepínicos gera maior sedação, hipotensão, depressão respiratória ou até delirium.

Para pacientes que nunca fizeram analgesia, recomenda-se inicialmente o uso intermitente de 2-4mg de morfina, a cada 4 a 8h. Pode-se também ofertar 1mg/min até que seja alcançado o alívio da dor e repetir esta dose a cada 2h. É muito importante saber que pacientes com câncer experienciam dores agudas, sendo essencial uma dose de resgate, além da habitual, regularmente, que deve ser equivalente a 10% da dose diária ou 50-100% da dose por hora. A Paciente Control Analgesia (PCA, do inglês, controle de analgesia pelo paciente), possui como vantagem a redução da ansiedade do paciente, assim como menos sedação desnecessária, mas o paciente pode interpretar erroneamente seus sintomas, podendo gerar também intoxicação por opióide. Logo, não há evidências concretas que a PCA seja uma melhor técnica de analgesia do que a tradicional. O conselho americano dá preferência para o uso oral da morfina, pela sua simplicidade e economia, mas em pacientes contraindicados pode usar outras vias, como a retal (apesar de ser mais incômodo para o paciente e seus cuidadores), sublingual (demora mais tempo para fazer efeito que o oral), vaginal, tópico (para úlceras de pele), aerossol (bom para pacientes com dispneia, mas há pouco conhecimento sobre essa via), intravenoso ou subcutâneo (ação rápida e eficiente) e espinhal (epidural ou intratecal, muito mais potentes, indicado para pacientes com dor mais resistente).

Fonte: UpToDate

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