Endocrinologia

Vitamina D: possível tratamento para o pé diabético

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Equipe med.club
16/1/2023
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Estudo transversal publicado no periódico Journal of Diabetes Investigation encontrou uma associação entre níveis inadequados de vitamina D e a prevalência do pé diabético (PD) em pacientes com diabetes mellitus tipo II (DM II). O PD é uma complicação crônica e severa, com prevalência estimada de 2.5% e alta taxa de recorrência das úlceras (50%). Assim, é considerado uma importante causa de morbimortalidade em pacientes com DM II. Já a vitamina D é um hormônio esteroide essencial para o metabolismo do cálcio e para a remodelação óssea. Esse hormônio também apresenta função imunológica, papel na regulação da resposta inflamatória e atuação no ciclo celular. Todavia, estima-se que 1 bilhão de pessoas apresentem deficiência da vitamina. Dessa forma, os autores do presente estudo buscaram evidenciar a prevalência da deficiência de vitamina D em pacientes com pé diabético devido a DM II.

O estudo foi conduzido em hospital terciário na China, e foram incluídos 1.721 pacientes a partir dos 18 anos, divididos em dois grupos: pacientes com PD (547) e pacientes sem PD (1.174). Foram excluídos aqueles com outros tipos de diabetes, mulheres grávidas ou amamentando, e indivíduos com complicações agudas da diabetes e outros tipos de cenários causadores de estresse metabólico, como trauma e cirurgias. Além disso, pessoas com doenças reumáticas, doenças hepáticas graves, doenças cardíacas, neoplasias e doenças endócrinas que poderiam afetar o metabolismo do nutriente essencial também não participaram. Para o estudo, os níveis de vitamina D foram mensurados por eletroquimioluminescência, e foram considerados níveis séricos normais de 25-OH-vitamina D valor ≥ 50 nmol/L. E mais, níveis insuficientes, valores < 50 nmol/L, e níveis deficientes, valores < 30 nmol/L.

Os resultados do estudo foram muito elucidativos. Os autores identificaram que níveis insuficientes e deficientes de 25-OH-vitamina D foram mais prevalentes em pacientes com pé diabético, em comparação aos pacientes sem PD. Além disso, os autores identificaram a vitamina D como um fator de risco independente para o PD, podendo essa possivelmente atuar como fator protetor dessa condição. E mais, através da análise demográfica, os autores evidenciaram uma contribuição positiva da 25-OH-vitamina D para os níveis a de HbCa1, bem como evidenciaram uma variação sazonal nos níveis do hormônio, com as menores taxas nos meses de inverno e primavera, sendo essa variação mais acentuada nos pacientes com PD. 

Apesar desses achados, o estudo apresentou algumas limitações. Entre elas, o fato de terem sido incluídos apenas indivíduos chineses, por isso, há possibilidade de as conclusões da pesquisa não poderem ser aplicáveis a outras etnias. Além do mais, os autores reportaram que cerca de 1/3 dos pacientes entrevistados não puderam ser incluídos, devido a ausência de dados sobre os níveis de 25-OH-vitamina D. Por isso, é possível que os dados do artigo sejam subestimados. Ainda assim, o que foi publicado evidencia o possível papel que a vitamina D pode exercer nos cuidados do paciente com pé diabético, favorecendo a possibilidade de, futuramente, serem instituídos tratamentos e prevenção para a deficiência e/ou insuficiência da 25-OH-vitamina D para o paciente com essa condição.

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