Endocrinologia
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Acromegalia: o que é, causas, tratamento e mais!

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Equipe medclub
Publicado em
25/8/2023
 · 
Atualizado em
25/8/2023
Índice

A acromegalia é uma doença rara, e acomete cerca de 6 pessoas a cada 1 milhão de indivíduos. Seu diagnóstico é comumente firmado entre 40 e 45 anos, e provoca importantes repercussões de morbidade nos indivíduos acometidos. A seguir, será discutido a relação dessa doença com o hormônio GH, seus principais sinais e sintomas e seu tratamento.

O que é acromegalia?

A acromegalia é uma síndrome clínica que acomete adultos e decorre da hipersecreção do hormônio GH. A principal causa são os adenomas pituitários, que podem ser microadenomas ou macroadenomas. Os microadenomas podem ser indetectáveis em exames de imagem, dificultando o diagnóstico.

Em crianças e adolescentes, a hipersecreção de GH provoca o gigantismo, em que o paciente pode atingir alturas de até 2,5 metros. Isso porque, nessa faixa etária, a epífise dos ossos longos ainda não foi fundida com as hastes. Já na acromegalia, que ocorre após a adolescência, o indivíduo não pode mais crescer. Entretanto, observa-se o crescimento de tecidos moles e o aumento da espessura dos ossos.

Acromegalia e hormônio GH

O GH, também conhecido como o hormônio do crescimento ou somatotrófico/somatotrofina, é produzido pelas células somatotróficas da adeno-hipófise, e atua provocando o crescimento de quase todos os tecidos do corpo. A seguir, serão discorridos seus principais efeitos no organismo.

O GH aumenta a taxa de síntese de proteínas pela maioria das células do corpo. Além disso, aumenta a mobilização dos ácidos graxos do tecido adiposo e seus os níveis no plasma, aumentando o seu uso como fonte de energia pelo organismo. Por isso, o indivíduo com acromegalia é comumente magro e apresenta pouca gordura visceral.

Além disso, o hormônio do crescimento reduz a taxa de utilização da glicose pelos tecidos, provocando um aumento da secreção de glicose pelo fígado e a secreção de insulina pelo pâncreas. Por isso, na acromegalia, observa-se uma “resistência à insulina”, devido a menor capacidade de captação de glicose pelos tecidos musculoesqueléticos e adiposo.

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Para mais, o GH aumenta consideravelmente o crescimento esquelético. Isso ocorre devido ao aumento da deposição de proteínas pelos condrócitos e células osteogênicas, bem como pelo aumento da reprodução dessas células. E mais, ele promove a conversão dos condrócitos em células osteogênicas, aumentando ainda mais a deposição óssea.

O hormônio também estimula a liberação hepática de proteínas denominadas fatores de crescimento semelhante à insulina (IGFs), sendo o mais relevante o IGF-1, que é de fundamental importância para o crescimento dos tecidos. Isso porque o GH tem ligação fraca com proteínas plasmáticas, e apresenta meia-vida sérica inferior a 20 minutos.

Já o IGF-1 tem forte ligação com proteínas plasmáticas, apresentando meia-vida de cerca de 20 horas. Dessa forma, a apresentação lenta do IGF-1 provoca um prolongamento dos seus efeitos promotores do crescimento dos tecidos do paciente.

Efeitos do hormônio de crescimento e IGF-1 no crescimento e no metabolismo. Fonte: Tratado de Fisiologia Médica, 2021
Efeitos do hormônio de crescimento e IGF-1 no crescimento e no metabolismo. Fonte: Tratado de Fisiologia Médica, 2021

Por fim, a produção do GH é estimulada pelo hormônio liberador do hormônio de crescimento (GHRH), produzido pelo hipotálamo. Já sua inibição é realizada pela liberação do hormônio somatostatina (SST) e por efeito de feedback negativo pelos IGFs na adeno-hipófise e nos neurônios hipotalâmicos.

Quais as causas da acromegalia?

Como mencionado anteriormente, a principal causa da acromegalia são os adenomas somatotróficos da glândula pituitária anterior, também denominada adeno-hipófise, que correspondem a 98% dos casos. Assim, são raras a hipersecreção de GH por lesões extra-hipofisárias (<1%), como tumores pancreáticos ou pulmonares.

Sintomas

Como discutido posteriormente, a altura do indivíduo com acromegalia não vai estar alterada. Entretanto, a disfunção provoca alargamento dos ossos das mãos e dos pés, bem como dos ossos membranosos (crânio, nariz, bossas frontais, cristas supraorbitais, mandíbulas e vértebras), devido ao seu crescimento não parar após o fim da adolescência.

Paciente com acromegalia. Fonte: Tratado de Fisiologia Médica, 2021
Paciente com acromegalia. Fonte: Tratado de Fisiologia Médica, 2021

Como consequência disso, é possível evidenciar protrusão da mandíbula (prognatismo), inclinação da testa e aumento em até 2 vezes no tamanho do nariz. Além disso, mãos e pés crescem, com o paciente podendo calçar tamanho 45. E mais, devido a mudanças nas vértebras, o paciente pode apresentar cifose.

Homem de 22 anos de idade, com gigantismo devido ao excesso de GH, é mostrado à esquerda de seu irmão gêmeo idêntico (A), a mão (B) e o pé (C) aumentados do gêmeo afetado são aparentes. Fonte: Medicina Interna de Harrison, 2020
Homem de 22 anos de idade, com gigantismo devido ao excesso de GH, é mostrado à esquerda de seu irmão gêmeo idêntico (A), a mão (B) e o pé (C) aumentados do gêmeo afetado são aparentes. Fonte: Medicina Interna de Harrison, 2020

Outras características clínicas comuns no paciente são a hiperidrose, a voz grossa e abafada e pele oleosa. E ainda, pode haver artropatia, síndrome do túnel do carpo, e fraqueza/fragilidade dos músculos proximais. Além disso, são comuns a acantose nigricans e papilomas cutâneos. E ainda, o paciente apresenta visceromegalia generalizada, podendo ser evidenciados cardiomegalia e macroglossia. 

Assim, o impacto clínico mais significante para o paciente ocorre no sistema cardiovascular. Isso porque o indivíduo pode desenvolver miocardiopatias com arritmias, hipertrofia ventricular esquerda, diminuição da função sistólica e hipertensão arterial.

Ainda sobre o sistema cardiovascular, cerca de 60% dos indivíduos irão apresentar obstrução das vias aéreas superiores, devido ao aumento dos tecidos moles das vias aéreas laríngeas. Isso pode provocar a síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono (SAHOS). Para mais, a diabetes mellitus se manifesta em 25% dos pacientes.

A acromegalia também está associada a um maior risco de desenvolver pólipos colônicos, sendo maior a mortalidade global por malignidade colônica nesses pacientes em cerca de 3 vezes quando comparada com a população geral. 

Isso decorre principalmente dos distúrbios cardiovasculares, cerebrovasculares e respiratórios que esses pacientes tendem a desenvolver. Assim, quando os níveis de GH não estão controlados, a sobrevida média desse paciente é cerca de 10 anos inferior da população geral.

Como diagnosticar a acromegalia?

Os níveis séricos do IGF-1, a depender da idade do paciente, estão aumentados nesta disfunção. Dessa forma, a realização de sua medição é útil para a triagem de pacientes que apresentam probabilidade de apresentarem a acromegalia. Entretanto, para firmar o diagnóstico, deve ser demonstrada a supressão do GH após sobrecarga de glicose.

Isso porque, a hiperglicemia inibe a secreção do hormônio de crescimento pela adeno-hipófise. Dessa forma, o diagnóstico se dá após a evidência de supressão do GH para < 1 μg/L 1 a 2 horas após a sobrecarga oral com 75g de glicose. Todavia, é importante ter em mente que cerca de 20% dos pacientes apresentam aumento paradoxal dos níveis de GH após esse exame.

Ademais, a prolactina é um hormônio que também deve ser dosado nos pacientes com suspeita de acromegalia, uma vez que essa está aumentada em cerca de 25% dos pacientes com essa doença.

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Tratamento para a acromegalia

Os objetivos do tratamento da acromegalia são o controle da hipersecreção do hormônio do crescimento e do IGF-1, bem como eliminar/interromper o crescimento do tumor e melhorar as comorbidades do paciente. E ainda, restaurar as taxas de mortalidade desse indivíduo para o normal, e preservar sua função hipofisária.

Dessa forma, a primeira linha de tratamento para a maioria dos pacientes é a ressecção cirúrgica dos adenomas secretores de GH. Entretanto, os análogos de somatostatina podem ser utilizados como terapia adjuvante para diminuir grandes macroadenomas invasivos, antes de que seja realizada a operação.

E mais, os análogos de somatostatina também atuam reduzindo rapidamente os sintomas debilitantes, bem como diminuem a hipersecreção de GH. Além disso, também podem ser utilizados em pacientes frágeis, e naqueles que se recusam a passar por uma cirurgia.

Conclusão

A acromegalia, apesar de ser uma doença rara, provoca sérias repercussões no indivíduo acometido por essa doença. Assim, seu reconhecimento e tratamento são fundamentais para diminuir as repercussões nos diversos sistemas do organismo, em especial, no sistema cardiovascular.

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