Ginecologia e Obstetrícia
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Estudo sobre a relação dos contraceptivos hormonais e a incidência de gravidez ectópica

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Equipe medclub
Publicado em
25/10/2022
 · 
Atualizado em
7/5/2023
Índice

Estudo publicado recentemente pela revista Obstetrics and Gynecology trouxe novas evidências para a prescrição de métodos contraceptivos hormonais e sua relação com a incidência de gravidezes ectópicas (GE). A gravidez ectópica é definida como a implantação e desenvolvimento do ovo fora da cavidade do corpo uterino. 

Aproximadamente 2% das gestações são ectópicas, representando importante causa de morbimortalidade à nível global. Isso porque a GE corresponde a 6 a 13% das mortes relacionadas ao período gestacional, tornando-a a principal causa de mortalidade materna no primeiro trimestre de gravidez. Assim, a fim de prevenir a GE, recomenda-se o uso dos contraceptivos modernos, capazes de realizar a prevenção da gravidez de maneira mais eficaz. São opções de métodos hormonais os contraceptivos de estrogênio e de progesterona isolada.

 Nesse cenário, o uso dos dispositivos intrauterinos (DIUs) hormonais apresentam grande vantagem por serem reversíveis, de longa duração e não dependerem da aderência do paciente ao método, apresentando baixo risco de gravidez não planejada. Entretanto, na falha desse método contraceptivo, as taxas de gravidez ectópica podem atingir 25 a 50% das pacientes.

Este estudo é um coorte prospectivo, que avaliou mulheres com prescrição de contraceptivos hormonais através do órgão de Registro Sueco de Medicamentos Prescritos, no período entre 2005 e 2016. As pacientes foram avaliadas de acordo com o contraceptivo hormonal em uso, sendo incluídos: DIU com 13.5 mg de levonorgestrel; DIU 19.5 mg levonorgestrel (Kyleena); DIU 52 mg levonorgestrel (Mirena); Contraceptivos orais combinados (anéis vaginais, pílulas, adesivos); Implantes de etonogestrel; Desogestrel 75 mg (dose média de contraceptivo de progesterona); Noretisterona (dose baixa de contraceptivo de progesterona); E injeções de acetato de medroxiprogesterona. Foram incluídos neste estudo 1.663.242 mulheres, com idade entre 15 e 49 anos e em utilização de um único método contraceptivo hormonal.

A idade média das pacientes no início do estudo foi de 27 anos, sendo a maioria (64%) nulíparas. A maior parte das pacientes fizeram uso de terapias orais combinadas (40.1%), seguidas de pacientes com DIU de Mirena (24.7%). Foram excluídas mulheres em uso de espermicidas e com prescrição de pílulas contraceptivas de emergência. A gravidez ectópica foi definida pela presença de pelo menos dois registros de GE em até 30 dias, ou na presença de um registro de gravidez ectópica e registro de procedimento cirúrgico para tratamento dessa condição.

Os autores evidenciaram a ocorrência de 1.915 gravidezes ectópicas, com incidência de 0.28 para cada 1.000 mulheres neste estudo. Assim, os autores concluem que os contraceptivos hormonais se mostraram eficazes para a diminuição na incidência da GE, visto que a média geral na incidência de GE em mulheres suecas é de 0.83 para cada 1.000 pacientes. Além disso, o estudo evidenciou que, em mulheres com história prévia de gravidez ectópica, a incidência foi de 6.09 para cada 1.000. Dessa forma, os autores concluem que há maior risco de GE em mulheres com histórico de GE prévia, independentemente do contraceptivo hormonal utilizado. 

Para mais, 2.3% das pacientes deste estudo utilizaram o DIU com 13.5 mg de levonorgestrel, e 104 apresentaram a gravidez ectópica. Assim, a incidência nesse grupo de pacientes foi de 2.76 para cada 1.000 mulheres e, portanto, os autores concluem que o uso desse método hormonal está mais associado a maiores riscos de desenvolver a GE comparado a outros métodos contraceptivos. 

Por fim, segundo os autores, a população de maior risco para GE são as mulheres com menos de 40 anos, com história prévia de gravide ectópica e em uso de DIU 13.5 mg de levonorgestrel por 2.5 a 3 anos de uso. Entretanto, o estudo apresentou algumas limitações, entre elas, a disponibilidade do uso do DIU de 13.5 mg de levonorgestrel na Suíça apenas em 2014, impossibilitando a avaliação da incidência da GE com 3 anos de uso do método. Assim, são necessários mais estudos que comprovem a maior taxa de gravidez ectópica em pacientes utilizando esse método contraceptivo hormonal.

FONTE: Kopp-Kallner H, Linder M, Cesta CE, Segovia Chacón S, Kieler H, Graner S. Method of Hormonal Contraception and Protective Effects Against Ectopic Pregnancy. Obstet Gynecol. 2022 May 1;139(5):764-770. doi: 10.1097/AOG.0000000000004726. Epub 2022 Apr 5. PMID: 35576335; PMCID: PMC9015020.

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