Gastroenterologia
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Síndrome do Intestino Irritável: como diagnosticar e tratar nossos pacientes?

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Equipe medclub
Publicado em
22/12/2023
 · 
Atualizado em
25/12/2023
Índice

A sociedade do século XXI é marcada por um estilo de vida mais acelerado e imediatista, carregado de estresse na rotina, hábitos alimentares não saudáveis e sedentarismo. Diante disso, patologias crônicas não transmissíveis se tornam protagonistas no mundo da saúde por um crescimento significativo em sua prevalência, uma delas é a Síndrome do Intestino Irritável (SII).

O que é a Síndrome do Intestino Irritável?

A SII é uma doença crônica do trato gastrointestinal (TGI) que não possui uma causa orgânica específica, mas é associada à uma disfuncionalidade da motilidade intestinal, a qual é responsável pela variabilidade clínica da patologia, uma vez que os pacientes podem ter queixas de diarreia e/ou constipação

Nesse contexto, os sinais e sintomas ocorrem em alternância entre momentos assintomáticos e de crises, estando, por vezes, associados a outras condições como: depressão, ansiedade, dispepsia funcional e refluxo gastroesofágico. 

Epidemiologia e Etiologia

Segundo estudos, a Síndrome do Intestino Irritável é uma das principais causas de busca de pacientes por atendimentos gastrointestinais, correspondendo a cerca de 30% dos casos. Além disso, tem uma maior prevalência no sexo feminino e incidência na faixa etária de 30 a 50 anos

Como dito, não há uma etiologia específica bem definida e, por isso, é uma grande fonte de estudos. Contudo, é sabido que há fatores de risco principais desencadeantes da patologia e de suas crises, a exemplo de infecções gastrointestinais, doenças psiquiátricas, estresse e alimentação gordurosa.
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Como é sua fisiopatologia?

Por não haver uma causa orgânica esclarecida, a fisiopatologia da Síndrome do Intestino Irritável ainda é um mistério e estudos são feitos em busca de uma resposta. Porém, é consenso que há uma hiperalgesia visceral por distensão das alças intestinais, apesar de o volume de gases ser normal, associado com distúrbio funcional com mudança da motilidade intestinal, a qual pode estar aumentada (associada à diarreia) e/ou diminuída (relacionada à constipação) de maneira que altera o padrão de evacuação dos pacientes.

Quais os sintomas da  Síndrome do Intestino Irritável?

A história natural clínica da Síndrome do Intestino Irritável é cíclica por envolver momentos de crises álgicas e disfuncionais intestinais, e outros assintomáticos. Nesse cenário, as manifestações clássicas como dor abdominal de local inespecífico com distensão abdominal, diarreia e/ou constipação, os quais melhoram ou pioram com a evacuação e ocorrem durante o dia, são as principais queixas dos pacientes. Dessa maneira, mudanças no padrão das fezes, sejam elas mais endurecidas ou amolecidas, comumente surgem, bem como queixas de pirose e náuseas associadas.

Como realizar o diagnóstico?

Considerando o contexto etiológico e fisiopatológico, entende-se que a  Síndrome do Intestino Irritável é vista como um diagnóstico de exclusão a partir da normalidade em exame físico e de exames complementares e, por isso, devemos tornar nossa busca exclusivamente para as manifestações clínicas dos pacientes. 

Nesse sentido, os critérios de Roma IV e a Escala de Bristol são ferramentas essenciais para maior assertividade diagnóstica por permitirem maiores relações clínicas entre mudanças do hábito intestinal e a dor abdominal. 

Critérios Roma IV

Dor abdominal recorrente por pelo menos 1x/semana nos últimos 3 meses associado dois ou mais dos seguintes critérios:

  • relacionado com a defecação
  • relacionado com mudança na frequência da defecação
  • relacionado com mudança no formato/aparência das fezes
Escala de Bristol; Fonte: The Bristol Stool Form Scale: its translation to Portuguese, cultural adaptation and validation 
Escala de Bristol; Fonte: The Bristol Stool Form Scale: its translation to Portuguese, cultural adaptation and validation 

Quais os principais diagnósticos diferenciais e como identificá-los?

Por ser um diagnóstico de exclusão, é de grande importância a busca por outras patologias gastrointestinais. Dessa forma, a presença de sinais de alarme, como sintomas que acordam o paciente, fezes com sangue, perda de peso não intencional e queixas não relacionadas com evacuação, deve levantar a hipótese de outra patologia.  Aqui está uma lista com os principais sinais:

  • Perda de peso não intencional
  • Novo início de dispepsia após os 55 anos
  • Disfagia
  • Vômito persistente
  • Qualquer hemorragia digestiva evidente, hematêmese ou melena
  • História familiar de câncer de esôfago ou estômago
  • Anemia ferropriva
  • Massa abdominal ou linfonodo palpável

Assim, a busca com exames laboratoriais e radiológicos deve ser feita de acordo com a principal suspeita. Alguns exemplos de diagnósticos diferenciais são:

  • Dispepsia funcional
  • Neoplasia gastrointestinal
  • Doenças Inflamatórias do Intestino
  • Doença Celíaca
  • Intolerância à lactose, entre outros.

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Quais os tratamentos principais?

Os pilares da terapêutica envolvem o conhecimento dos fatores desencadeantes das crises de modo a evitá-los, a melhora na alimentação (ex: dieta com redução em carboidratos fermentáveis) e a prática de exercícios físicos regularmente. Em pacientes com  Síndrome do Intestino Irritável moderado ou severa, isto é, com a qualidade de vida afetada, deve-se administrar adjuntamente medicações sintomáticas individualizadas para cada caso. 

Nesse sentido, o polietilenoglicol (PEG) torna-se uma possibilidade por sua ação osmótica laxativa em pacientes constipados. Se houver refratariedade, linaclotida e lubiprostona são opções. Para quadros de diarreia, a loperamida é o medicamento de escolha por ser um agente antidiarréico.

Representação de modelo de alimentação saudável
Representação de modelo de alimentação saudável

Quais métodos terapêuticos adicionais?

Agentes antiespasmódicos (hioscina), podem ser utilizados sob demanda, seja de forma antecipada à crise em contextos de exposição a fatores desencadeantes, como durante os momentos de dor abdominal. 

Em pacientes mais severos e de refratariedade, os antidepressivos tricíclicos, como amitriptilina e nortriptilina, em baixas doses para controle de dor crônica podem ser utilizados, principalmente em pacientes com quadros depressivos associados. Probióticos não são indicados rotineiramente, podendo até exacerbar os sintomas.

Conclusão

Apesar de ser uma patologia de diagnóstico difícil e algumas vezes incerto, o conhecimento da Síndrome do Intestino Irritável por parte da comunidade médica e a boa orientação ao paciente permite um maior conforto para este último, tendo em vista que métodos terapêuticos simples podem trazer um bom prognóstico na maioria dos casos.

Continue aprendendo:

FONTES:

  • Irritable Bowel Syndrome - New England; 
  • Síndrome do Intestino Irritável, MSD Manuais; 
  • Goldman-Cecil Medicina, 26°ed. ;
  • Clinical manifestations and diagnosis of irritable bowel syndrome in adults-UpToDate;
  • Treatment of irritable bowel syndrome in adults - UpToDate.

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