Infectologia

Gestão Clínica e Prevenção e Controle de Infecções para Monkeypox (Varíola dos Macacos)

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Equipe med.club
28/9/2022
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A Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou recentemente um guia de orientação provisória de resposta rápida à varíola dos macacos (Monkeypox). A varíola dos macacos é uma zoonose de etiologia viral, pertencente ao gênero Orthopoxvirus, da família Poxviridae. A transmissão ocorre de animais para humanos, áreas contaminadas para humanos e de humanos para humanos. Sendo essa última através do contato direto com a pele e lesões cutâneas, bem como gotículas respiratórias. 

O período de incubação do vírus varia entre 5 e 21 dias após a exposição. Em estudo observacional prospectivo com 216 pacientes, constatou-se os sinais e sintomas: 1) rash cutâneo clássico (99.5%); 2) mal-estar (85.2%); 3) dor de garganta (78.2%); e linfadenopatia (98.3%), mais comumente na região cervical (85.6%) e inguinal (77.3%). O rash cutâneo clássico pode apresentar-se como: 1) leve (< 25 lesões); 2) moderado (25 a 99 lesões); 3) severo (100 a 250 lesões); e 4) muito severo (> 250 lesões). Surgem em 1 a 3 dias após quadro febril, iniciando-se como mácula e, posteriormente, progredindo para pápulas, vesículas, pústulas e descamações, em período de 2 a 3 semanas. 

As erupções têm comportamento centrífugo, iniciando-se na face, e se estendendo posteriormente para as palmas e solas, podendo acometer também mucosas. O diagnóstico pode ser feito com PCR (proteína C reativa) em indivíduos com suspeita clínica. O diagnóstico diferencial deve ser feito com doenças como o herpes-zóster, o herpes simples e a dengue.

A OMS recomenda realizar a triagem para varíola dos macacos em todo paciente que apresente rash cutâneo e febre ou linfadenomegalia. Objetiva-se identificar casos severos e casos complicados -como celulite, abcesso ou necrose devido a infecção bacteriana secundária às lesões cutâneas- bem como pacientes de alto risco para complicações (crianças muito pequenas, gestantes e imunodeprimidos). Casos leves podem ser isolados em domicílio, devendo o paciente ficar isolado de outras pessoas em sua casa. Para esses indivíduos podem ser oferecidos tratamento sintomático com antipiréticos e analgesia. 

A antibioticoprofilaxia não está indicada nesses casos, entretanto, faz-se necessário monitoramento das lesões, observando possível sinal de infecção bacteriana. Para mais, todos os pacientes devem ser advertidos a se abster de relações sexuais até que nova camada de pele seja formada após caída das crostas. E mais, o guia sugere o uso de preservativo por pelo menos 12 semanas após formação da nova camada de pele, a fim de prevenir a transmissão do vírus. Já no paciente com alto risco para complicações, quadro severo ou complicado, o monitoramento e isolamento devem ser feitos em ambiente hospitalar. Nestes, o uso de alguns antivirais pode ser considerado, como o tecovirimat, o brincidofovir (contraindicado em gestantes) e o cidofovir. Entretanto, ainda são necessários mais estudos que confirmem a real eficácia dessas medicações no tratamento da varíola dos macacos.

Para mais, gestantes com quadros leves ou não complicados podem ser acompanhadas em unidades básicas de saúde, todavia, caso apresentem alguma complicação, devem ser tratadas em ambiente hospitalar. Além disso, a escolha da indução do parto, bem como o tipo de parto -se cesáreo ou vaginal- devem ser baseados em protocolos obstétricos e de acordo com as preferências da gestante, bem como as condições do bebê. Isso porque estudos sugerem que a transmissão do vírus pode ocorrer de forma vertical, levando a eventos adversos como aborto espontâneo e óbito fetal. Para mais, recém-nascidos devem ser monitorados a fim de evidenciar possível doença congênita ou exposição perinatal.

O guia recomenda que os bebês expostos ao vírus tenham seu calendário vacinal completo, quando possível. Por fim, as orientações para amamentação devem ser individualizadas, considerando o grau de severidade da doença na lactante e o risco de transmissão do vírus para o bebê.  

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