Cardiologia

Colchicina para o tratamento de doença arterial coronariana

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Equipe med.club
24/8/2022
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A inflamação tem um papel importante na aterosclerose e eventos como infarto agudo do miocárdio e necrose miocárdica (que por sua vez estimula mais inflamação, expansão cicatricial e remodelação desfavorável do ventrículo esquerdo) e devido a isso as medicações anti-inflamatórias foram consideradas como um bom agente nas terapias para pacientes com síndromes coronarianas agudas (SCA) ou crônicas (SCC). O uso de glicocorticoides foi proposto, mas o resultado em ensaios clínicos foi desvantajoso, assim como darapladib e losmapimod e anti-inflamatórios não esteroidais possuem efeito prejudicial ao sistema cardiovascular e geram um maior risco de infartos. A Canakinumab foi o primeiro anti-inflamatório que provou ser benéfico na prevenção de SCA e SCC, mas não gerou efeitos no perfil lipídico e possui alto custo.

A colchicina mostrou-se ser segura a longo prazo (em tratamentos contínuos de uma década), com poucos efeitos adversos (geralmente gastrointestinais) e é atualmente utilizada no tratamento da gota e pericardites, mas recentemente tem sido estudada como uma opção eficaz para tratar Doença Arterial Coronariana (DAC) e prevenir Infartos miocárdicos. A colchicina é transportada pela glicoproteína P (P-gp), metabolizada pelo citocromo P450 3ª4 (CYP3A4) e excretada na bile; devido a essas relações farmacocinéticas, deve-se evitar interação com medicações que inibem a P-gp ou CYP3A4, com ao claritromicina, eritromicina, ciclosporina e verapamil. O efeito anti-inflamatório da colchicina se deve ao fato que ela se liga a elementos dos microtúbulos (principalmente de glóbulos brancos), constituintes do citoesqueleto, o que diminui a taxa de fagocitose, motilidade leucocitária e quimiotaxias, assim, reduzindo respostas inflamatórias. Esse fármaco também modifica a estrutura de plaquetas e impede sua agregação, bem como sua interação com leucócitos. Além disso, a colchicina induz a deterioração das placas ateroscleróticas ao ativar macrófagos M2 e bloquear citocinas de macrófagos M1.

Em pacientes com SCC, a colchicina reduziu a incidência de infartos miocárdicos espontâneos e otimizou o desfecho desses pacientes. Em casos de SCA, o uso de colchicina (junto com medicações padrões) logo após a desobstrução arterial, mostrou diminuir o dano miocárdico, quando comparado com pacientes que estavam em uso de placebo. Para pacientes que tiveram infarto agudo do miocárdico nos últimos 30 dias, seu uso reduz significativamente o risco de angina e a necessidade de novas hospitalizações urgentes para revascularizações coronárias, mas homens e diabéticos se beneficiam mais desse uso do que outros subgrupos de risco. Novas pesquisas devem ser feitas para saber se a colchicina é benéfica também em casos de prevenção primária, como em pacientes com DAC assintomática.

Fonte: UpToDate

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