Cardiologia

Sexo feminino e seus fatores de risco cardiovascular

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Equipe med.club
7/12/2022
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Artigo recente publicado na Methodist Debakey Cardiovascular Journal analisou evidências atuais sobre possíveis fatores de risco para doenças cardiovasculares (DCV) no sexo feminino. O manejo das DCV é realizado de maneira muito similar em indivíduos do sexo masculino e feminino, entretanto, a estratificação de risco pode ser limitada nas mulheres. São exemplos de fatores de risco para DCV comuns a homens e mulheres o sedentarismo, obesidade, dislipidemia, tabagismo, hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus (DM), álcool e idade avançada.

Entretanto, os autores enfatizam o fator protetor de estrogênio como determinante na menor incidência da DCV em mulheres pré-menopausadas. A propriedade do estrogênio de manter a vasodilatação e contribuir para o controle da pressão arterial pode ser responsável por promover menor incidência de DCV no sexo feminino, em comparação ao sexo masculino. Todavia, após os 55 anos, a incidência de DCV se iguala entre mulheres e homens, bem como o impacto da obesidade torna-se maior no sexo feminino quando comparado ao sexo masculino, provavelmente devido à redistribuição da gordura para a região abdominal. 

Além disso, o risco de hipertensão também é maior em mulheres idosas que em homens idosos. Para mais, os autores enfatizam que o tabagismo provavelmente é um fator de risco ainda mais relevante em mulheres do que em homens, visto que metanálise recente que englobou 75 estudos coortes, com 2.4 milhões de indivíduos, mostraram aumento de 25% do risco para DCV em mulheres tabagistas em comparação com homens tabagistas. 

E mais, a organização Center for Disease Control and Prevention reportou que são realizadas menos prescrições de estatinas para indivíduos do sexo feminino, comparado com indivíduos do sexo masculino, mesmo que ambos apresentem o mesmo RCV, sendo as indicações para a prescrição da estatina é as mesma para ambos os sexos. 

Logo, os autores descreveram diferenças significativas na mortalidade por DCV entre homens e mulheres com DM tipo I, visto que essas apresentam risco 37% maior do que os homens neste aspecto. E ainda, apresentam também duas vezes maior risco de desfechos fatais e não fatais para eventos vasculares.

No que tange os fatores de risco não tradicionais, ou seja, que são exclusivamente fatores de risco para o sexo feminino, os autores descrevem as desordens hipertensivas da gestação, que afetam aproximadamente 10% das gestantes, e representam importante causa de morte materna e fetal. E mais, a diabetes mellitus gestacional (DMG). Nesta última, apesar dos níveis séricos de glicose apresentarem valores normais após o término da gestação, essas pacientes permanecem sob risco elevado de desenvolver DM durante a vida e, dessa forma, os autores enfatizam a importância do rastreamento e as mudanças de vida para essas mulheres. 

Ainda sobre os fatores de risco não tradicionais, os autores comentam sobre as doenças sistêmicas autoimunes, que afetam mais o público feminino, e podem predispor maior RCV. Exemplo disso é a artrite reumatóide, que apresenta risco de infarto agudo do miocárdio 2 a 3 vezes maior comparado com indivíduos saudáveis, bem como risco 50% maior acidente vascular cerebral. 

E mais, os autores comentam sobre a depressão, que também afeta mais indivíduos do sexo feminino, e tem sido descrita como antecente de DCV. A depressão também está associada com outras doenças que predispõem o surgimento de DCV, como o tabagismo e o sedentarismo. 

Para mais, os autores descrevem que a radioterapia para o câncer de mama está associada com aumento dos riscos de morbimortalidade cardiovascular, sendo o RCV proporcional à dose e a exposição ao coração, tendo início apenas alguns anos após a exposição, e permanência por até 20 anos. 

Por fim, no estudo Women 's Health Initiative, mulheres em uso de terapia de reposição hormonal (TRH) não apresentaram efeitos cardioprotetores, e o uso do estrogênio exógeno pode até ter piorado as condições das mulheres. Assim, os autores também consideraram a TRH como um possível fator de risco cardiovascular.

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Referência: Jokinen, E. “Obesity and cardiovascular disease.” Minerva pediatrica vol. 67,1 (2015): 25-32.

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